No dia 17 de junho de 2026, aconteceu o IV Workshop de Refit Náutico em São Paulo, reunindo os principais especialistas do setor para debater os bastidores do refit – o que realmente acontece na obra, e não apenas o que aparece no Instagram.
O evento foi organizado por Caio Ambrósio, do Boat Shopping, e por Keity Ciccacio, arquiteta náutica especializada em projetos de refit, que conduziram a programação com um olhar 360º sobre as decisões, desafios e aprendizados de um refit real.
Raymond Grantham, fundador da Coninco, participou do painel "Especificar mal custa caro", ao lado de Felipe Mendes, da Danimars Inox (especialista em peças e acessórios em inox para náutica), e Viviane Ponciano, da VP Iluminação (light designer com foco em projetos personalizados).
Com 50 anos de experiência no mercado náutico, Raymond compartilhou sua visão sobre os erros mais comuns de especificação em pintura e acabamentos, e como evitá-los.
Assista à palestra completa abaixo.
Com o tema "Especificar mal custa caro", Raymond abordou os principais pontos que transformam uma pintura bem-feita em um problema caro e recorrente. A mensagem central é clara: a preparação da superfície é mais importante do que a tinta em si.
Durante sua apresentação, Raymond destacou a importância de compreender o sistema completo de pintura — desde o substrato até o acabamento final — e como cada etapa influencia diretamente a durabilidade e o custo total da obra.
Raymond enfatizou que a preparação da superfície é a etapa mais crítica de qualquer pintura náutica. Massa, primer, seladores e o preparo adequado da superfície são fundamentais para garantir a aderência e a durabilidade do sistema. Ele destacou que a aplicação incorreta ou a omissão dessas etapas é a principal causa de falhas prematuras.
Produtos mencionados: Massa Microball, Condur SP 350, Conzinc 5, Condur EPA 632.
O palestrante alertou sobre os três erros mais frequentes na especificação de sistemas de pintura: sistemas incompatíveis, produtos inadequados para o tipo de casco e aplicação incorreta. Ele citou um caso real de uma embarcação nobre onde todo o convés foi pintado com esmalte sintético — uma tinta fraca e incompatível com o ambiente marinho, que resultou em falha prematura e retrabalho.
Raymond abordou como a escolha da cor vai além da estética. Cores escuras, por exemplo, absorvem mais calor e podem acelerar o desgaste da tinta em regiões de alta incidência solar. A facilidade de manutenção, o impacto visual e a durabilidade da aparência devem ser considerados na especificação.
O especialista explicou os critérios para decidir entre reparo localizado e repintura total. Quando vale a pena recuperar, quando é necessário repintar completamente, como definir áreas de transição e como minimizar diferenças visuais entre a pintura original e o retoque.
Raymond destacou a transição dos esmaltes sintéticos para os poliuretanos, que oferecem uma durabilidade muito superior, podendo chegar a 20 anos se bem aplicados. Ele apresentou a tecnologia Conthane Yacht Finish DDN, que dispensa polimento e entrega alto brilho com resistência aeronáutica.
Produto mencionado: Conthane Yacht Finish DDN (rendimento 36 m²/Galão).
Um dos momentos mais impactantes da palestra foi a apresentação de um estudo de caso comparando três veleiros pintados com o mesmo material e mão de obra, mas atracados em locais diferentes: Santos, Ubatuba e Ilhabela. Os resultados mostraram variações significativas na durabilidade, reforçando como as condições ambientais impactam diretamente a vida útil da pintura.
Raymond também abordou as tintas inteligentes (anti-incrustantes de autopolimento), que se renovam com a velocidade da água ou com limpeza manual, mantendo a eficiência dos biocidas por mais tempo.
Produto mencionado: Acquamarine Duos (proteção de até 36 meses).
Raymond compartilhou o case do Veleiro Atrevida, que ficou 36 meses imerso em Ilhabela e, ao retornar para repintura, ainda tinha proteção residual com Acquamarine Duos. O caso impressionou a plateia e comprovou a eficácia da tecnologia anti-incrustante de longa duração.
Outro case apresentado foi o da embarcação Gattina, que necessitava de retoques em uma pintura originalmente feita com tinta importada. Utilizando espectrofotometria, a Coninco produziu a cor exata com Conthane Yacht Finish, garantindo um reparo invisível e perfeita integração com a pintura original.
Leia também: Acquamarine Duos: 36 meses de proteção | Guia prático da Massa Microball | Conthane DDN: tecnologia aeronáutica
A Coninco oferece consultoria técnica especializada para estaleiros, armadores e profissionais da manutenção náutica. Se você tem um projeto de pintura ou refit, nossa equipe está à disposição para orientar na especificação correta dos sistemas.
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